Guerra nas Estrelas

Em janeiro de 1978, uma liminar expedida por um juiz liberou a minha entrada, e a de uns 10 netos de militares para ver a estreia do primeiro Guerra nas Estrelas, censurado para menores. 
 
Corrupção e tráfico de influência eram cotidianas durante o regime militar. 
 
Não havia grandes escândalos, porque a imprensa não tinha liberdade de investigar e os órgãos públicos encarregados disso estavam a serviço da própria corrupção que deveriam coibir.
 
A corrupção, então, era visível nas pequenas coisas do dia a dia do Brasileiro. Rico e branco não era preso. O emprego mais cobiçado era o de fiscal de qualquer coisa. Empresas estrangeiras faziam aqui sua festa. Pedíamos dinheiro emprestado ao FMI como quem vai ao agiota, diz que precisa de dinheiro para operar um tumor e gasta tudo em cachaça.
 
General Geisel, na presidência, saboreava os últimos momentos de um regime que cumpriu o papel designado pela inteligência Norte Americana a todos os países da América Latina. E massacrou qualquer tentativa de resistência.
 
No filme de 2017, em cartaz em todos os cinemas do Brasil, sem censura, os heróis são a resistência. E os vilões, um regime militarista que quer trazer ordem para a galáxia – no filme, a nefasta e nazista “Primeira Ordem”.
 
Na Galáxia, a “Primeira Ordem” é popular, fica implícito. Estabeleceu-se rapidamente com o discurso “pelo fim da República” e deixou apenas uns gatos pingados organizando alguma oposição.
 
Vem aí, no Brasil, essa galáxia tão parecida quanto a galáxia distante de Star Wars: as eleições 2018. Há um aroma de militarismo e de exigência de ordem no ar. Como nos anos 70, há adesão total da classe média e simpatia deste ente vaporoso chamado “Mercado”.
 
Que a Força esteja conosco.

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